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terça-feira, 14 de junho de 2011

Sugestões de leitura: Fernando Pessoa

Estes livros fazem parte do nosso acervo e estão a disposição para empréstimo na Biblioteca:


FICÇÕES DO INTERLÚDIO


Uma espécie de antologia pessoal, reunindo poemas em português que Fernando Pessoa publicou em vida (1914 e 1935, em revistas e jornais) e que ele pretendia transformar em livro. Além do próprio Pessoa, aparecem na obra os heterônimos Alvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, em poemas célebres como 'Autopsicografia', 'Ode marítima', 'Melhor destino que o de conhecer-se' e 'O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia'.




MENSAGEM


Único livro em português publicado em vida por Fernando Pessoa, trata-se de uma pequena epopéia em que o eu lírico é na verdade um 'nós' - a nação portuguesa. São poemas 'em que se resume a história passada, e a promessa da história futura, de Portugal', como escreveu Pessoa. No centro do poema - assim como no centro da nação e da alma portuguesa - surge o mito de Dom Sebastião, força aglutinadora de todas as esperanças.


QUANDO FUI OUTRO


A paixão é apenas um dos temas explorados neste livro. Foram pesquisados mais de 25 mil originais em português, inglês e francês, escritos por Fernando Pessoa. A seleção, não acadêmica, teve o cuidado de pinçar aqueles textos do poeta que o tempo não apagou, que ainda despertam emoção e empatia no homem contemporâneo. Nesta antologia primorosa, original, Ruffato garimpou cartas que o poeta enviou para Ophélia, sua namorada, em dois períodos distintos, e textos em prosa que nos envolvem com uma narrativa ácida, inteligente - além de priorizar uma seleta impecável de poemas, que abrigam desde os clássicos 'Tanto mar', 'Tabacaria' e 'Autopsicografia', até jóias pouco conhecidas, que nos ajudam a desvendar o caráter enigmático e melancólico de Pessoa. Além de grande poeta, Fernando Pessoa foi também um filósofo interessado em diversos assuntos como religião, astrologia, teoria literária, história e política em seus textos. Uma profusão de interesses que mostra a desesperada tentativa de compreender o homem em sua totalidade. 'Quando fui outro' ressalta a unidade temática da obra de Pessoa e a absoluta simbiose entre vida e arte. Essa é uma antologia em que os heterônimos se escondem para que nos aproximemos de Fernando Pessoa, o homem que se multiplicava em identidades diferentes para se compreender, para decifrar o mundo e, também, provavelmente para se ocultar.


POESIA COMPLETA DE ÁLVARO DE CAMPOS


Álvaro de Campos era o heterônimo mais escandaloso e febril de Fernando Pessoa (1888-1935). O poeta português dizia que os versos de Campos lhe ocorriam quando ele sentia um impulso indefinível para escrever. Sua poesia explosiva pôs abaixo as formas tradicionais do lirismo e da poesia parnasiana e simbolista. Alguns dos mais conhecidos versos do heterônimo expressam essa crise artística e de identidade do homem moderno - 'Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo'.


POESIA COMPLETA DE RICARDO REIS


Ricardo Reis foi o segundo heterônimo criado por Fernando Pessoa, depois de Alberto Caeiro e antes de Álvaro de Campos - e é o mais clássico de todos eles. Suas odes refletem um espírito rigoroso, que defendia a ausência de desejos e o autodomínio como receita de sabedoria. A severidade de sua postura criou uma poesia precisa, de métrica calculada.


O POETA FINGIDOR



O 'Poeta fingidor', com apresentação de Claufe Rodrigues e prefácio de Carlos Felipe Moisés, é mais que uma antologia de Fernando Pessoa. Contém, além da antologia, um DVD com um documentário exibido pela Globo News em 2008.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Comemoração do 103º aniversário de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é o nosso poeta mais íntimo, e todos gostamos de acreditar que o conhecemos profundamente. Mas quantos sabem que ele inventou o aerograma, criou um slogan para a Coca-Cola, ou mesmo que era iniciado em artes místicas?


Complexo, controverso e apaixonante, o criador dos mais charmosos heterônimos da literatura mundial encontrou no coração dos brasileiros, o palco ideal para encenar seu "drama-em-gente", misto de vida e obra, máscaras e emoções. Naturalmente, tanto quanto Drummond, Vinicius, Bandeira, Pessoa é considerado um poeta nosso, e o gosto mútuo pelo uso do gerúndio não será a única explicação para esse caso de amor.


Quando morou em Lisboa, no ano de 1914, o poeta carioca Ronald de Carvalho chegou a conviver com ele. Ambos participaram da criação da revista Orpheu (a publicação, a princípio, seria luso-brasileira, ideia que, afinal, não vingou).


O feliz namoro entre Pessoa e os brasileiros começou efetivamente no início da década de 1940, quando desembarcou no Brasil, depois de ser apreendida em Portugal uma edição inteira contendo uma seleção de textos que incluía város poetas heterônimos. Até aquele momento, mesmo no nosso meio literário, quase ninguém conhecia o poeta. Surgiram então os primeiros estudos literários; vários artistas passaram a retratá-lo em versos, tintas e canções; e mesmo Drummond escreveu mais de um poema em homenagem a ele.


Dos saraus, nos anos 1950, aos palcos da contracultura, na década seguinte, a popularidade do poeta fingidor aumentou consideravelmente entre nós. Mas, a rigor, ele ainda era um escritor para iniciados.


O poeta só conquistou o grande público no começo dos anos 1980, com a publicação do Livro do Desassossego (um texto em prosa, claro). A glorificação póstuma seria sacramentada na mesma década, com a celebração em Portugal do cinquentenário de morte, em 1985, e do centenário de nascimento, em 1988. Desde então, Pessoa não para de ganhar adeptos, penetrando na corrente sanguínea da sociedade humana através dos poros e dos sentidos, enquanto sua figura se agiganta cada vez mais perante os grandes nomes da literatura universal.



Texto de Claufe Rodrigues, poeta e jornalista.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

José Saramago (1922 - 2010)


"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

No dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos, morre José Saramago nas Ilhas Canárias.