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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Novidades no Acervo - Moacyr Scliar




A Biblioteca Central adquiriu novos livros do escritor Moacyr Scliar, que foi homenageado na II Feira do Livro do Colégio Catarinense.

"Para isto servem as palavras, para estabelecer laços entre pessoas - e para criar beleza. Pelo que a ela devemos ser eternamente gratos." Moacyr Scliar




Sinopse: A primeira paixão de Valdo foi a leitura. A leitura o aproximou de Geninho. E Geninho o apresentou ao comunismo. A ideia de que a desigualdade fosse uma injustiça e de que houvesse pessoas lutando pelo fim da opressão social mudou a vida do garoto. Decidido a entrar para o Partido Comunista, Valdo abre as porteiras da estância e cai no mundo. Levando poucos pertences e quase nenhum dinheiro, embarca clandestinamente num trem com destino ao Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa, acredita, o lendário líder do Partido, Astrojildo Pereira, haverá de recebê-lo de braços abertos para conduzi-lo em pessoa às fileiras da militância, onde finalmente sua vida ganhará sentido. Mas Astrojildo não está no Rio. Foi a Moscou, sem data para voltar. E Valdo não tem dinheiro. Em vez de lutar para libertar a classe oprimida, torna-se ele próprio um assalariado, operário da construção.

Sinopse: Num congresso de estudos bíblicos, um famoso professor e sua rival evocam, em momentos diferentes, duas figuras singulares; o jovem Shelá e a mulher por quem ele está apaixonado, Tamar. Os dois vão narrar, de pontos de vista distintos, uma intriga passional que mostra quatro homens e uma mulher às voltas com costumes ancestrais que até hoje governam boa parte da população de nosso mundo e que são fonte de conflitos e tragédias. O primeiro filho de Judá, Er, casa-se com Tamar. Como não a engravida, é castigado por Deus com a morte. De acordo com a tradição, compete ao segundo filho, Onan, assumir o papel do falecido; Onan se recusa a cumprir sua missão por considerá-la humilhante, optando por derramar seu sêmen sobre a terra para que a esposa não conceba herdeiros - e Deus também o pune com a morte. Resta Shelá, que o pai não quer entregar a Tamar por temer que o rapaz tenha o mesmo destino dos irmãos. Desqualificada e privada de filhos, Tamar recorre a um ardil que se tornaria lendário e que, recontado aqui na chave do humor, torna-se inesquecível.




Sinopse: Ajudada por um ex-historiador que se converteu em 'terapeuta de vidas passadas', uma mulher descobre que, no século X a. C., foi uma das setecentas esposas do rei Salomão - a mais feia de todas, mas a única capaz de ler e escrever. Encantado com essa habilidade inusitada, o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade - e, em particular, a do povo judeu - tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso. Com uma linguagem que transita entre a elevada dicção bíblica e o mais baixo calão, a anônima redatora conta sua trajetória, desde o tempo em que não passava de uma personagem anônima, filha de um chefe tribal obscuro.



Sinopse: A expulsão dos vendilhões do Templo de Jerusalém é o ponto de partida para uma narrativa original, que se desdobra em três épocas - 33 d.C., 1635 e 1997. Na primeira parte, ambientada na Jerusalém da época de Cristo, o episódio bíblico é visto pela óptica de um dos vendilhões, camponês arruinado que chegou à cidade em busca de melhores dias e descobriu no comércio do Templo o trampolim para projetos mirabolantes. A trajetória de Cristo é vista indiretamente pelo olhar desse seu obscuro contemporâneo, e a vida cotidiana na Terra Santa é descrita com humor e vivacidade. Na segunda parte da obra, a narrativa dá um salto no tempo e no espaço. Em 1635, Nicolau, um jovem padre, chega a uma pequena missão jesuítica do sul do Brasil e se vê envolvido numa situação angustiante; com a morte súbita do sacerdote que dirigia a missão, torna-se responsável por uma comunidade indígena cujo idioma não fala. Um forasteiro se oferece como intérprete, mas em pouco tempo seu caráter suspeito se manifesta. A terceira parte do livro se passa em 1997, na cidade surgida a partir da aldeia jesuítica. A esquerda comemora a conquista da prefeitura. Um assessor de imprensa testemunha essas mudanças ao mesmo tempo em que, com ex-colegas de colégio, relembra a peça teatral encenada pelo grupo na infância, tendo como tema o episódio da expulsão dos vendilhões do Templo. As três histórias se entrelaçam e se iluminam, desdobrando de maneira inesperada o núcleo temático do episódio bíblico, com diversas possibilidades cômicas e dramáticas, e focalizando suas implicações morais.

Fonte: http://www.livrariacultura.com.br/

terça-feira, 26 de abril de 2011

Novidades: Em outras palavras, de Lya Luft


No livro "Em outras palavras", Lya conduz o leitor a refletir sobre o cotidiano, a política, a vida e o amadurecimento. Aqui, estão reunidas as melhores crônicas da autora, publicadas desde 2004. Mas os 54 textos selecionados pela autora aparecem com algumas alterações. Diversos artigos são auto-referentes, aproximando Lya do leitor, fazendo-o pensar, acertadamente, o quanto somos, embora diversos, tão parecidos. A partir destas crônicas, Lya tem a oportunidade de dividir com os leitores suas preocupações ou receios relacionados à vida política, ética, educação, relações familiares etc.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Livros indicados para o Vestibular UFSC 2012 - Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida

O único romance de Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias foi publicado em 1852-53 sob a forma de folhetim semanal, dividido em capítulos curtos e até certo ponto independentes, em geral contendo um episódio completo. A trama, por isso, é complexa, formada de histórias que se sucedem e nem sempre se relacionam por causa e efeito.
O romance narra a história de Leonardo Pataca, um vadio que acaba se transformando num sargento de milícias no tempo de D. João VI. A obra contrasta com os romances românticos de sua época e possui traços que anunciam a literatura modernista do século XX, por várias razões. Primeiro, por ter como protagonista um herói malandro (Leonardo é o primeiro malandro da literatura brasileira), ou um “anti-herói”, na opinião de alguns críticos. Segundo, pelo tipo especial de nacionalismo que a caracteriza, ao documentar traços específicos da sociedade brasileira do tempo do rei D. João VI, com seus costumes, os comportamentos e os tipos sociais de um estrato médio da sociedade, até então ignorado pela literatura. Terceiro, pelo tom de crônica que dá leveza e aproxima da fala sua linguagem direta, coloquial, irônica e próxima do estilo jornalístico.



Nascido no Rio de Janeiro em 17 de novembro de 1831, Manuel Antônio de Almeida ingressa no curso de Medicina, no qual se forma em 1855, mas não exerce a profissão. Ainda estudante, colabora no jornal 'Correio Mercantil', onde publica 'Memórias de um Sargento de Milícias', entre 1852 e 1853. Em 1858, foi nomeado diretor da Tipografia Nacional. Lá, conheceu o jovem aprendiz de tipógrafo Machado de Assis. Além de 'Memórias de um Sargento de Milícias', deixou o drama lírico 'Dois Amores'. Morreu em 28 de novembro de 1861, no naufrágio do vapor Hermes.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Natal em prosa

Compras de Natal

Cecília Meireles

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.

As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.

Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.

Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.

Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!

São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.


Texto extraído do livro "
Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 80.





terça-feira, 12 de outubro de 2010

Centenário de Rachel de Queiroz

Raquel de Queiroz nasceu em Fortaleza em 17 de novembro de 1910. Em 1917, após uma grande seca, muda-se com seus pais para o Rio de Janeiro e logo depois para Belém do Pará, retornando para Fortaleza dois anos depois.
Foi em 1930, com a estreia da jovem Rachel, de apenas 19 anos, que a seca passou a ser não apenas o ambiente, mas personagem central da história.
``O Quinze`` foi o nome da sua obra que mostrou a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria. O livro da autora cearense tem papel destacado no desenvolvimento do romance nordestino. Tendo escrito um romance feminino de formação, ela se transformou num símbolo das conquistas da mulher brasileira, sendo a primeira escritora a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Das diversas obras publicadas, destacamos os romances: As três Marias (1939), Dôra, Doralina (1975) e Memorial de Maria Moura(1975).
A escritora faleceu em 04 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro.

Para maiores informações leia na íntegra:
http://www.releituras.com/racheldequeiroz_bio.asp

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto


Um dos mais respeitados poetas brasileiros, João Cabral de Melo Neto (1920 - 1999) trouxe a lume em 1955 o poema regionalista "Morte e Vida Severina", que retrata a fuga da seca de retirantes que seguem o curso do rio Capibaribe até a cidade de Recife. Nessa jornada, o protagonista luta para escapar da morte que o cerca, mesmo que seja apenas por uma vida severina.
"Somos muitos Severinos
iguais em tudo na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra."
-
O poema foi adaptado em 1965 para o Teatro, com músicas brilhantes de Chico Buarque, ganhou uma versão para o cinema em 1977, com direção de Zelito Viana e uma adaptação televisiva em 1981 pela Rede Globo.